Foto: Christiano Ercolani (Divulgação)
A decisão da direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) de apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao governo do Rio Grande do Sul, retirando a candidatura própria no Estado, foi classificada como um movimento estratégico dentro de um acordo nacional voltado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Em entrevista ao Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, na manhã desta quarta-feira (8), o deputado estadual e presidente do PT no Estado, Valdeci Oliveira, afirmou que o encaminhamento já vinha sendo discutido há semanas e está inserido em uma articulação mais ampla entre partidos.
— Nós estamos de acordo com a tática de que a prioridade absoluta nesse momento é a reeleição do presidente Lula. Por toda a situação conjuntural mundial, por todo o avanço da ultra-direita e do fascismo, por tudo o que significa para o Brasil, para a América Latina e para o mundo inteiro a reeleição do presidente Lula. Então, isso nós temos concordância — explicou.
Acordo nacional e “palanque único”
Segundo Valdeci, a decisão atende a uma lógica de alianças em nível nacional, envolvendo principalmente PT e PDT. Em troca do apoio em estados considerados prioritários, como Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, o PDT se compromete a apoiar Lula e as candidaturas do PT em outras unidades da federação.
— A avaliação era de que havia, na verdade, uma tática nacional que previa negociações de alguns estados. Por isso, o PDT propunha que, a nível nacional, Paraná e Rio Grande do Sul eram prioridade e, nesse sentido, abriria mão em 19 estados para apoiar as candidaturas do PT e garantir um grande palanque nacional para a reeleição do presidente Lula — disse.
O conceito de “palanque” citado pelo dirigente refere-se à estrutura política e eleitoral montada em cada estado para dar visibilidade e sustentação a uma candidatura nacional. A avaliação da direção do partido é de que um palanque unificado no Estado pode fortalecer o desempenho de Lula no Rio Grande do Sul, onde o PT historicamente enfrenta dificuldades eleitorais.
Decisão inédita no Estado
A retirada da pré-candidatura de Edegar Pretto marca a primeira vez que o PT não terá candidato próprio ao governo gaúcho.
Valdeci reconheceu que a mudança ocorre após um período de preparação da candidatura no Estado e admitiu divergências internas sobre o processo.
— Nós entendemos, logicamente, que houveram alguns equívocos, pois nós deveríamos ter começado a debater claramente isso ainda em janeiro. Mas nós temos respeito e responsabilidade, enquanto dirigente partidário, de compreender esse momento e trabalhar para assimilar esse encaminhamento do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) Nacional, que foi respaldado pela executiva nacional do PT — afirmou.
O presidente da sigla no Estado também afirma que:
— A direção nacional está orientando o PT do Rio Grande do Sul que siga a tática nacional, para que a gente possa garantir um palanque com a presença do PDT, em todo o país, com o presidente Lula. Isso significa ter um espaço de televisão importante para a defesa do governo nesse momento de ataque permanente e de fake news — pontuou Valdeci.
Apesar das críticas de lideranças do partido, como Olívio Dutra e Tarso Genro, o presidente estadual do PT minimizou o risco de ruptura.
— Nós temos que trabalhar muito para diminuir essas tensões. Em um processo eleitoral, é lógico que tu sempre defende os teus. Tu se dedica, se radicaliza na defesa daquilo que está colocado. Pra gente é normal esse processo. Nós temos que agora dialogar, conversar e buscar unidade — disse.
Impactos e próximos passos
Sem candidatura própria ao governo, o PT passa a concentrar esforços em outras disputas, como o Senado e a eleição presidencial. Entre as prioridades, ele destacou a eleição de Paulo Pimenta ao Senado e a ampliação das bancadas federal e estadual.
— Nós temos enormes desafios pela frente, não só para a reeleição do Lula, mas para nós é fundamental o Rio Grande do Sul eleger o Pimenta ao Senado. É muito importante para todos para nós, para região, e reforçar cada vez mais a nossa nominata para estadual e federal e ampliar a nossa bancada. Nós teremos ter muita base, muita mobilização com a nossa militância e trabalhando muito as redes sociais. Tudo para voltar a governar o Piratini com o campo democrático popular e dar uma outra guinada nesse Rio Grande do Sul que está precisando. E com uma mulher na liderança — defendeu.
A composição da chapa majoritária, incluindo a possibilidade de indicação de vice na candidatura de Juliana Brizola, ainda deve ser definida nos próximos dias.
— Essa é uma segunda etapa. Vamos dialogar e construir. A expectativa é de que até o dia 20 tudo esteja encaminhado — concluiu.